Como estávamos em Copacabana, cidade boliviana que faz fronteira com o Peru, decidimos que era hora de avançar no nosso projeto. Compramos nossa passagem de ônibus e saímos cedo rumo ao novo país, ansiosos por novas aventuras. Cruzar a fronteira da Bolívia para o Peru é um passo clássico para quem faz o mochilão pela América do Sul, e nossa primeira parada foi a vibrante cidade de Puno.

Puno é a capital da Província e do Departamento de mesmo nome, sendo amplamente conhecida como a “Capital Folclórica do Peru”. Com uma população que gira entre 130 a 150 mil habitantes, a cidade respira tradição. Por estar muito próxima da Bolívia, ainda encontramos muitas cholitas e uma cultura muito semelhante à que vínhamos vivenciando, o que torna a transição entre os países muito interessante.
Onde fica Puno e como chegar saindo da Bolívia ou do Brasil
Puno é a principal porta de entrada terrestre no Peru para quem vem do sul. Para chegar a Puno, a forma mais comum é de ônibus, exatamente como nós fizemos saindo de Copacabana. A viagem é curta e a paisagem do Lago Titicaca acompanha boa parte do trajeto.

No entanto, se você deseja sair diretamente do Brasil, saiba que não existem voos diretos. A logística exige que você voe para o Aeroporto Internacional Inca Manco Cápac (JUL), em Juliaca — a cidade vizinha. Geralmente, faz-se uma escala em Lima e, de Juliaca, a viagem até Puno leva cerca de 1 hora de carro ou ônibus.
Atravessando a fronteira: Dicas de câmbio e imigração
O ônibus parou no posto de controle onde fizemos a saída da Bolívia e o processo foi surpreendentemente rápido. Além disso, aqui vai uma dica imperdível: neste ponto, existem várias pessoas fazendo câmbio na rua. Recomendamos fortemente que você troque todo o dinheiro em espécie que ainda tenha da Bolívia (Bolivianos). Como a moeda boliviana está desvalorizada, a cotação dentro da cidade de Puno costuma ser bem pior do que na própria fronteira. Conversor de moedas

Após a saída, fomos caminhando cerca de 100 metros até o local da entrada no Peru. No caminho, há um letreiro clássico onde aproveitamos para tirar uma foto de recordação. Na imigração peruana, entramos na fila e o processo foi tranquilo. Perguntaram apenas quantos dias pretendíamos ficar e carimbaram nossos passaportes. Não houve revistas nas mochilas no momento, embora esse procedimento possa variar de viajante para viajante.
Assista ao vídeo abaixo para ver como foi a nossa travessia e tudo o que visitamos na cidade de Puno:
Como circular e onde se hospedar em Puno
Assim que chegamos ao terminal de Puno, pegamos um táxi para ir até o apartamento que locamos. Na cidade, os táxis tradicionais funcionam muito bem, mas você também encontrará os pitorescos tuk tuks e as bicicletas de carga adaptadas para passageiros.
Entretanto, se você quer economizar como nós, a melhor opção são as vans particulares que funcionam como transporte público. A passagem custa apenas 1 Sol e percorre as principais avenidas. Portanto, fizemos uso desse transporte todos os dias e foi excelente para sentir a rotina local.

Em relação à hospedagem, nossa sugestão é buscar algo próximo ao centro histórico ou ao Porto de Puno. Ficar nessas regiões facilita o acesso às melhores atrações e aos passeios que saem pelo lago.
O que fazer em Puno: Pontos turísticos imperdíveis
Plaza Mayor e a imponente Catedral
A Plaza Mayor (ou Plaza de Armas) é o coração de Puno, fundada em 1668. Antigamente, este era um ponto estratégico na rota da prata. O grande destaque é a Catedral de Puno, uma joia do barroco declarada Patrimônio Cultural Nacional. Curiosamente, ela foi construída sobre o “Supay Kancha” (Recinto do Diabo), um antigo local cerimonial. Seu interior abriga pinturas valiosas da Escola de Cusco.

Parque Pino e Arco Deustua
O Parque Pino é um espaço charmoso que homenageia o Dr. Manuel Pino, um herói que se alistou como soldado na guerra contra o Chile para defender sua nação. Já o Arco Deustua, construído em 1847, é um monumento em homenagem aos patriotas das batalhas de Junín e Ayacucho. É um belo local para fotos e para entender o orgulho nacional peruano.
Puerto de Puno e o Lago Titicaca
O porto é a alma da cidade. O Lago Titicaca é o lago navegável mais alto do mundo (3.800m acima do nível do mar) e tem cerca de 60 milhões de anos! Dizem que, visto do espaço, o lago tem o formato de uma puma caçando uma presa (Titi = Puma / Caca = Pedra). Embora a gente tenha olhado e não tenha achado muita semelhança, a energia do lugar é indiscutível.

Confira aqui nosso guia sobre as Ilhas Flotantes de Uros
Passeios próximos: Chucuito e Sillustani
Se você tiver um tempo extra, não deixe de visitar o Templo da Fertilidade (Inca Uyo), em Chucuito. Localizado a apenas 20 minutos de Puno, o sítio conta com 86 esculturas fálicas de pedra. Embora o nome remeta aos Incas, sua origem é provavelmente muito anterior, ligada à cultura Tiwanaku.

Outro local impressionante é Sillustani, um cemitério pré-inca com torres funerárias chamadas chullpas. Elas ficam na Laguna Umayo, a 4.000 metros de altitude. As torres guardavam os restos mortais da nobreza da cultura Kolla e são marcos arquitetônicos magníficos contra o azul do céu andino.

Dicas finais para sua viagem
- Economia: Use as vans (combies). Elas são baratas e cobrem quase toda a cidade.
- Saques: Utilize o Banco de La Nación (RedBanc). Geralmente, ele não cobra taxas administrativas para saques com cartões internacionais.
- Melhor Época: De maio a setembro (época seca), embora seja mais frio.
- Tempo de permanência: 2 a 3 dias são suficientes para ver a cidade e as ilhas principais.
Perguntas Frequentes (FAQ) – Puno e Fronteira Bolívia/Peru
A forma mais comum e econômica é de ônibus. O trajeto é curto e exige uma parada no posto de imigração boliviano para saída e, 100 metros depois, no posto peruano para entrada e carimbo no passaporte.
Sim! Recomendamos fortemente trocar todo o seu saldo em Bolivianos (BOB) para Soles (PEN) ainda na fronteira. A cotação oferecida pelos cambistas locais costuma ser muito melhor do que a encontrada nas casas de câmbio dentro da cidade de Puno.
No primeiro dia, explore o Centro Histórico (Plaza Mayor, Catedral e Parque Pino). No segundo dia, dedique-se ao Lago Titicaca, visitando as Ilhas Flutuantes de Uros ou sítios arqueológicos próximos, como Sillustani ou o Templo da Fertilidade em Chucuito.
A maneira mais barata é utilizar as “combies” (vans particulares de transporte público). Elas custam cerca de 1 Sol e circulam por toda a cidade. Para trajetos curtos, os tuk tuks e táxis também são opções acessíveis.
O Banco de La Nación (RedBanc) é o mais indicado para viajantes brasileiros. Geralmente, ele permite saques com cartões internacionais sem cobrar a taxa administrativa de conveniência que outros bancos privados aplicam.





