Potosí na Bolívia foi a cidade mais alta (4.090m) que alcançamos em nossa jornada até agora. É um destino repleto de desníveis e exige cuidado redobrado com o soroche (mal de altitude). Ao chegarmos, notamos imediatamente que a estrutura da cidade muda drasticamente em comparação a Oruro e Uyuni; aqui, os supermercados lembram os convencionais do Brasil, e os preços sejam mais elevados do que as outras da Bolívia.

Além dos mercados modernos, a cidade respira tradição com sua feira semanal e o movimentado Mercado Central. Potosí já foi a cidade mais rica da Bolívia e uma das maiores do mundo. Em 1611, era a principal produtora de prata do globo, tornando-se a segunda cidade mais populosa da época, com 140 mil habitantes.
Potosí é reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO devido à sua importância histórica e arquitetônica.
No entanto, essa riqueza tem um lado sombrio: uma história dura de exploração e morte de povos indígenas na mineração. Existe um ditado local que diz que, com a prata retirada do Cerro Rico, seria possível construir uma ponte até a Europa — e outra ponte de volta feita apenas com os ossos dos trabalhadores que ali morreram.

Neste guia, vamos compartilhar nossa experiência explorando os pontos principais, as minas ativas e os arredores desta cidade histórica.
Onde fica Potosí e como chegar
Chegamos a Potosí logo após a nossa expedição pelo Salar de Uyuni, vindo em um ônibus que faz o trajeto de forma bem tranquila.
Para quem sai do Brasil, o trajeto mais recomendado é via La Paz ou Santa Cruz de la Sierra. Existem voos diretos de São Paulo para Santa Cruz. Dentro da Bolívia, a forma mais fácil e econômica de se locomover é de ônibus, que funciona de maneira muito eficiente para conectar as cidades.

Como circular pela cidade de Potosí Bolívia
É possível conhecer os principais pontos turísticos de Potosí caminhando, mas esteja preparado para as ladeiras e a falta de fôlego devido à altitude. Táxis e Uber funcionam bem. Para os passeios mais distantes ou tours específicos, o ideal é contratar agências locais; a concorrência é alta, o que permite negociar bons preços.
Onde se hospedar em Potosí Bolívia
A cidade oferece diversas opções entre hotéis, Airbnb e Booking. Em breve, selecionaremos os nossos favoritos para deixar uma lista detalhada aqui para vocês.
O que fazer em Potosí: Pontos Turísticos Imperdíveis
Centro Histórico e Ruas Emblemáticas em Potosí Bolívia
- Rua La Paz com A. Hoyos: Conhecida historicamente como a “Rua das Lamentações”.
- Callejón de la Pulmonía: Localizado entre a Escola Pichincha e a Catedral. Diz a lenda que o diabo se disfarça de vento gélido por aqui. Devido à altura dos prédios, o sol quase não bate, tornando o beco intensamente frio.
- Callejón de las Siete Vueltas: Um beco estreito e misterioso, associado a rituais antigos e marionetes de sombras. A passagem é tão peculiar que pode causar desorientação nos visitantes.
- Calle del Empedradillo (Rua da Prata): Foi a primeira rua pavimentada da cidade e era o caminho por onde a prata processada seguia rumo à Casa da Moeda.

Monumentos e Arquitetura
- Plaza 6 de Agosto e Teatro Modesto Omiste: O coração da vida social da cidade.
- Basílica Catedral de Santiago Apóstol: Construída entre 1808 e 1838. Seu interior abriga relíquias religiosas valiosas em ouro e prata. Sob ela, no “Beco da Pneumonia”, encontram-se catacumbas que serviam de sepulcro para o clero e a elite.
- Convento de San Francisco de Asís: A primeira ordem religiosa de Potosí (1547). Também possui criptas históricas que foram desativadas em 1826 por questões de saúde pública.
- Arco de Cobija: Antiga divisa entre o bairro espanhol e o indígena. Os indígenas eram proibidos de atravessá-lo sem permissão, sob risco de execução pública. Era o ponto de partida das caravanas de prata para o Oceano Pacífico.
- Torre de la Compañía de Jesús: Um magnífico monumento barroco-mestiço do século XVIII. É o que restou de uma antiga igreja jesuíta após a expulsão da ordem em 1767.
Preparamos um vídeo completo da nossa experiência de Potosí, assista aqui:
Museus e Cultura
- Casa Nacional de Moneda: Um dos museus mais importantes da América Latina. Destaque para a máscara icônica na entrada e para os antigos fornos que atingiam mais de 960°C para fundir a prata em lingotes.
- Igreja de San Lorenzo de Carangas: Famosa por sua fachada barroca-mestiça, uma das mais belas da Bolívia, que mistura símbolos europeus e indígenas.

Experiência na Mina do Cerro Rico em Potosí Bolívia
Para visitar as minas, é obrigatório contratar um guia. Fizemos o tour no “modo aventura” e a experiência é impactante. Passamos por trechos estreitos e perigosos onde os mineiros trabalham até hoje. É uma vivência forte que mostra a realidade crua do trabalho subterrâneo.



Onde comer e Gastronomia Típica
A comida em Potosí Bolívia é barata e saborosa. Recomendamos provar:
- Kalapurka: Uma sopa andina servida com uma pedra vulcânica em brasa dentro da tigela, o que mantém o caldo fervendo na mesa.
- Papa Rellena: Batata recheada clássica e muito tradicional nas ruas.
Outros destinos na região
- Chaqui Baños: Conhecida por suas águas termais de origem vulcânica. Em dezembro de 2025, pagamos apenas 10 reais pela entrada. É uma ótima forma de relaxar após as caminhadas na altitude.

Melhor época para visitar
De maio a outubro (estação seca), embora faça muito frio à noite.
Quanto tempo ficar
Recomendamos de 2 a 3 dias para aclimatar e conhecer os pontos principais sem pressa.
Seguimos para La Paz, capital da Bolívia. Não perca o próximo artigo.
Perguntas Frequentes sobre Potosí (FAQ)
Potosí está a aproximadamente 4.090 metros acima do nível do mar. Para evitar o soroche, é essencial se hidratar muito, evitar esforços físicos no primeiro dia, comer refeições leves e tomar o tradicional chá de coca ou comprimidos específicos (sorojchi pills).
A visita é uma experiência interessante e envolve riscos, pois são minas ativas. É fundamental contratar agências com guias experientes (ex-mineiros) que forneçam equipamentos de segurança adequados (capacete, botas e lanternas).
A forma mais comum é de ônibus. A viagem dura entre 3 a 4 horas e as estradas são pavimentadas e em boas condições, oferecendo uma das paisagens mais bonitas da região.
A Kalapurka é a sopa típica de Potosí. Ela é servida com uma pedra vulcânica aquecida dentro do prato, o que faz com que o caldo continue fervendo enquanto você come, mantendo a temperatura ideal no clima frio da montanha.





